Na maior parte do tempo nós lidamos com a vida, e com tudo que nela está incluso. Seja um desgosto por algo não completado, seja o sorriso por um presente ganho, seja a preocupação por alguém que você ama não ter chegado em casa ou até mesmo aquela última tequila que te faz dizer: Agora eu não to legal!
E poucas vezes pensamos na morte. Quando uma matéria de jornal mostra alguém jovem morrendo, quando um parente de um amigo morre ou mesmo quando alguém próximo morre. Paramos então de pensar na vida e pensamos na morte e em todas as conseqüências que a mesma traz. Mas mesmo quando achamos não pensar na vida, nós pensamos. Pensar na morte é pensar que a vida é efêmera, frágil e que a qualquer momento pode escapar de nossas mãos ou mesmo de nossos corpos...
Mas o maior problema na minha visão não é pensar a vida, ou mesmo a morte ou ainda, a vida quando há morte. A pior coisa de se pensar, e o momento mais confuso e difícil é o entre a vida a morte.
Quando encontramos alguém que amamos, ou mesmo que é amado por aqueles que amamos, entre a vida e a morte, acredito ser esse o pior e mais difícil momento. Muitos dizem que a morte liberta, e que morrer é muito melhor do que estar vivo. Mas morrer é não mais estar entre nós, não mais compartilharmos tudo o que aquela pessoa tem para compartilhar, é perder carinho, amor, tempo, ajuda, sorrisos. É chorar, ficar triste e não saber o porque de o mundo ser assim tão cruel, é se desesperar, é pensar na vida e desejar que a morte seja mesmo um lugar melhor. Mas e quando a pessoa não morreu ainda? quando ela está literalmente entre a vida e a morte? E principalmente quando é alguém como citado a cima? O que dizer para um amigo? Ele vai ficar bem? Ela vai sair dessa? E onde fica o medo? De perder alguém que nos é de suma importância, que nos ajudou a sermos hoje o que somos, que quando o mundo virou as costas estava ali dando a cara pra bater por nossa causa. Dizemos sempre que ele vai escapar, vai ficar bem... Mas não temos essa certeza, e se não temos afirmar isso é muito ruim.
Eu não sei como agir se esse momento chegar. Acredito que um ser humano é fortalecido pelas perdas mas eu não quero que elas aconteçam com os meus amigos que amo tanto. Eu penso que eles não precisam sofrer o tanto que sofri ou mesmo sofrer nada. E se eu puder irei sofrer no lugar deles toda a dor que puder isentá-los. Heróico isso mas não o suficiente pois, quando alguém querido se for eu jamais, jamais poderei sentir um terço de suas dores e nem mesmo aliviá-los.Mas antes que isso aconteça, eu posso fazer algo e foi o que eu fiz. Eu acredito em energias, e acredito que elas podem mudar o curso de qualquer acontecimento, mesmo se esse acontecimento for a morte. Durante o dia de hoje eu fiz algo meio arriscado que pensei nunca fazer. Durante todo um dia eu fiquei doando energias pela causa que considerei necessária. Um ser humano é formado de energia e todos nós possuímos uma quantidade que usamos diariamente, eu possuo um pouco mais do que o normal das pessoas pois aprendi a controlar a minha energia, não a gastando desnecessariamente.Por isso pude aguentar um pouco mais mas mesmo assim, eu precisei usar minha energia vital. A diferença da energia diária para energia vital é que quando se usa a diária, sempre que se dorme, descansa ou mesmo se está muito feliz essa energia é recuperada, e a energia vital nunca pode ser recuperada. Eu sei o que eu fiz, e faria novamente. Não quero ver lágrimas no rosto das pessoas que amo, e se eu precisar viver menos, ou mesmo morrer pra isso eu o farei. Se ele melhorar, mesmo que não seja por minha causa ou sendo não importa. O que importa é ver aqueles 4 sorrisos mais uma vez.
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